Longas viagens de moto. Você está pronto?

Já fiz inúmeras viagens de moto, sem e com minha esposa na garupa, e hoje, depois de mais de 100.000km em cima dos mais diversos estilos de motocicletas (big trail, maxi trail, pequenas trails, custom, sport touring, naked e street), posso repassar aos potenciais motoaventureiros algumas impressões pessoais sobre este ponto que tanto aflige a muitos motocilcistas, principalmente aqueles menos experimentados em longas viagens de moto. O que levar, com que moto ir, por onde começar, etc.
 

De plano, quero deixar claro que quando estou falando de longas viagens de moto, há que se considerar aquelas com distância superior há, no mínimo, 5.000km. Não é a viagem de final de semana ou de feriado mais prolongado, mas sim aquela de algumas semanas, mês ou até mais do que isso. Igualmente, não quero dar "aulas" ou "ensinar padre a rezar missa", pelo que o post certamente será mais útil àqueles dispostos a aprender e trocar experiências. Nada do que eu entendo por bom é, portanto, verdade absoluta.

Vou procurar dividir o tema em vários tópicos, várias partes, começando com a escolha da moto em si, passando pelo equipamento necessário tanto a ser agregado à moto como o que deve ser "incorporado" ao piloto, indo na sequência para a bagagem, itens essenciais, itens úteis e itens completamente desnecessários, questão de distribuição de peso, viagem com e sem garupa, planejamento prévio de roteiro, hotéis, camping, documentação, etc.

Então, sem mais delongas, vamos lá!!!
 


A escolha da moto ideal

Você já deve saber qual é a moto ideal para percorrer longas distâncias, certo? Pois é... A sua!

Por anos à fio me debati querendo encontrar a moto ideal para longas distâncias, longas viagens. Procurava aquela moto que fosse "indestrutível", consumisse pouco e tivesse boa autonomia (leia-se um tanque grande), fosse leve o suficiente e ao mesmo tempo tivesse motor de sobra, andasse bem no asfalto mas não fizesse feio na terra, enfim, procurava o que inexistia.
Depois de um tempo, após ler tantos relatos de gente indo de norte à sul da América montado em uma Biz, e outros não chegarem nem até 2.000 ou 3.000km longe do ponto de partida montados em grandes motos, comecei a perceber que não é muito o tipo de moto que diferencia o sucesso do fracasso de uma grande viagem de moto, mas uma série de outros fatores. É lógico que escolher uma moto com graves problemas de mecânica, projeto e de manutenção, a qual apresentou tantos defeitos que você não confia mais nela, já é estar fadado ao insucesso. Igualmente, optar por uma grande e pesada moto custom quando se sabe que a maior parte do caminho que se pretende seguir é de estradas de terra e rípio, é igual loucura. Não que não hajam loucos de plantão que encarem tais roteiros, mas isso é no mínimo dor de cabeça premeditada. É "procurar sarna para se coçar".
 

Por outro lado, se você vive diariamente montado na sua XT 660, F800GS, Twister, Lander, CG ou outra qualquer, e já conhece a mesma de cabo à rabo, trocar a sua parceira por outra novinha achando que pode ser melhor para viajar, é igual loucura. Vale a máxima, como gostam de dizer os do futebol: "Em time que está ganhando, não se mexe!".

Claro que tenho minhas opções de tipo de moto para viajar, as quais se alguém perguntasse recomendaria: big trails. E estou falando de Big, não de Maxi! Isso, é claro, por conta do meu porte físico: 174cm de altura, 74kg e beirando os 40 anos, nunca tendo sido nenhum magricelo mas longe de ter tido porte de "Hulk" para tirar do chão uma R1200GS Adventure lotada até as tampas. Aliás, tenho essa a primeira premissa na escolha da moto. Se ela tombar e você não conseguir levantá-la com certa facilidade SOZINHO, então ela não serve para você.

Por conta disso tudo, ando de "amores" com as BMW F800GS, não descartando as G650GS Sertão que logo mais aportam por aí.

Tenho foco nas big trails porque para mim essas não são "limitadoras". Quando com a GSX750F, por inúmeras vezes queria ir por um caminho mais tortuoso, subir a trilha de terra para ver a paisagem de cima do morro e, simplesmente tive de desistir da empreitada, porque a moto não se prestava muito para isso. Não que, repito, não seja possível você usar uma esportiva ou custom para o off road, mas isso é o mesmo que querer usar um Porsche Carrera para andar na terra. No mínimo, você vai estar maltratando o veículo, independente de sua capacidade enquanto piloto. Além do mais, a GSXF contava com uma grande carenagem, difícil e cara de arrumar. Depois de você gastar por duas vezes centenas de reais consertando a mesma, você meio que desiste do off... Por outro lado, se seu forte é tão só o asfalto, não há porque não adquirir uma Custom (apesar de eu nem assim gostar delas por achar desconfortáveis para meu estilo de pilotagem, por serem pesadas demais e terem amortecedores geralmente de curto curso) rezando para nunca ter de encarar sequer um desvio por terra ou saibro por conta de reformas na estrada.

Outro ponto primordial a considerar é quanto a autonomia. Nesse quesito, hoje para mim qualquer coisa que não consiga rodar ao menos 300Km com um tanque, está fora de cogitação. 

Daí outro motivo para eu afastar da mente as customs em geral. Claro que você aqui, novamente, tem de pensar que rotas quer seguir. Geralmente por asfalto, é raríssimo não encontrar um posto de abastecimento a cada 200km no máximo, salvo problemas locais de abastecimento, como greves, comoções sociais, etc. Há os que defendem sempre ser possível levar uma garrafa pet, galãozinho de óleo vazio ou outro recipiente para "carregar mais alguns quilômetros de autonomia", mas a idéia de ter gasolina fora do tanque, simplesmente não me agrada fora que, ao menos para a nossa legislação brasileira, é considerado infração, sujeitando o piloto à pesadas multas e até mesmo à apreensão do veículo. É claro que existem casos, principalmente fora do país (por exemplo, você vai encarar a parte árdua da belíssima Ruta 40) que você tem de superar essa questão e encontrar alguma forma segura de transportar mais combustível, preferencialmente em recipiente próprio para tanto. Até hoje não vi nenhum melhor que os rotopax (www.rotopax.com), mas não é porque são relativamente seguros que são liberados, legalmente falando.

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Enfim, o melhor é não ter de carregar combustível extra e, quando na estrada, abastecer sempre que chegar à pouco menos da metade do tanque, para não correr maiores riscos de uma pane seca.

Com a moto certa - aquela que você conhece, que já "faz parte de você" - e uma boa autonomia, já temos meio caminho andado para o sucesso de uma longa viagem de moto, onde o importante não é só partir, mas também chegar/voltar.

Na próxima parte, vamos nos aprofundar um pouco mais na equipagem da moto, em termos de proteções necessárias para a mesma, banco, bolhas, pneus, amortecedores, etc. Você vai perceber que "montar" a moto ideal para sua grande viagem, por si só já é uma grande aventura e diversão!

Até lá!!!

fonte: http://aekmotoadventures.blogspot.com.br (A&K Motos e Turismo)