Pilotando a moto sem judiar dela

Brutalidade é algo que não combina com pilotar motocicletas. Nos primeiros momentos do aprendizado tratar mal do acelerador, embreagem, alavanca de câmbio e freios é até natural. Mas a inexperiência cobrará seu preço sob a forma de trancos e excessos.

Saber usar os comandos corretamente é algo que  sempre demandará algum tempo. Para uns, mais habilidosos, a coisa vem fácil; para outros, demora um tiquinho mais até "pegar a mão".

Motocicletas são veículos especiais, por isso exigem alguma habilidade. Cada mão e pé faz uma coisa, às vezes duas: o grande segredo é combinar as ações de maneira harmoniosa. E, além de dominar os comandos, é preciso ter equilíbrio, manter o rumo certo e saber se safar dos imprevistos.

Diante da complicação e do risco inerente, alguns desistem. Talvez seja uma atitude sábia de quem se reconhece incapaz de encarar o desafio. Outros, persistentes, competentes ou ambos, conseguirão levar uma moto sentindo-se confortáveis e seguros. A recompensa será o inegável fascínio de andar de motocicleta.

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A estes que “chegaram lá”, capazes de pilotar pequenas, médias ou até as grandonas ultrapotentes, uma dica: sejam suaves. O princípio básico é que, quanto menos brutal você atuar em qualquer comando de sua moto, melhor será sua pilotagem. A única exceção pode ser relativa aos freios e, mesmo assim, com ressalvas. É claro que, se você estiver rodando em uma rua tranquila e um perigo – animal, pedestre ou o que seja – surgir na sua frente, agir nos freios de modo decidido é fundamental. Mas mesmo a chamada "frenagem pânica" tem suas regras, como veremos em seguida.

Veja abaixo o que significa ser suave, comando por comando:

ACELERADOR – É o rei dos comandos. Sem ele, nada feito, a moto não sai do lugar. Para entender como usá-lo corretamente, vale ter em mente que, na maioria das ocasiões, “menos é mais”. Pergunte-se sempre: seria possível estar acelerando menos? A não ser que você esteja precisando ganhar velocidade rapidamente, como, por exemplo, para ingressar em uma rodovia ou via expressa, a resposta quase sempre serÁ sim. 

Atuar de maneira progressiva e – de novo – suave, é ideal. Aprenda a perceber que, na maioria das vezes, girar a manopla mais lentamente e menos não altera quase nada a aceleração, mas faz uma grande diferença no consumo de um modo geral. Obviamente, no combustível em primeiro lugar, mas também no resto todo: motor, pneus, suspensões e inclusive de adrenalina.

Não se trata de abdicar da emoção e nem de curtir a performance, mas entender o comportamento de seu motor, como ele desenvolve a potência e distribui o torque no arco de rotações. Acelerador é o comando da moto no qual você mais atua, sua conexão direta com a "alma" da moto. Assim, use sua sensbilidade para aprender a usá-lo melhor, e mais suavemente…

CÂMBIO – Regrinha básica é não ser cruel. Em geral, os comandos dos pés sofrem mais, afinal, humanos em geral são bem mais hábeis com as mãos do que com os pés (com exceção do Neymar & colegas), e assim dá-lhe ponta-pé na alavanca, ou quase isso.

Para não fazer o câmbio (e toda transmissão) sofrer, é preciso se esmerar nas trocas de marchas, procurando entender em qual rotação a alavanca parece praticamente não oferecer resistência ao seu comando. Descobrindo esse mágico momento, onde parece que a marcha é sugada e não que é seu pé o responsável pela ação, você chegou lá.

E isso vale tanto para passar marchas como para a redução, manobra onde sempre cai bem aquele golpezinho – suave! – de acelerador, para facilitar as coisas.

Sistemas de transmissão são, em geral, superdimensionados e resistem a maus tratos. Porém, pilotar bem uma motocicleta é levá-la sem trancos, tornando cada troca de marcha imperceptivel, como se praticamente não existisse, atuando suavemente…

EMBREAGEM – De novo, vale o “menos é mais”. Quanto menos sua mão atuar sobre a embreagem, melhor será. Pecadão é parar em um semáforo e não buscar o ponto morto, vagabundagem que causa um desgaste desnecessário.

 

Toda vez que sua embreagem estiver acionada, mesmo que parcialmente, haverá um atrito enorme (outro nome da embreagem é fricção, lembra?) o que significa desgaste e outros inconvenientes, como elevação da temperatura e consequente perda de eficácia. Assim sendo, usar a embreagem é algo essencial, mas sempre pouco e suavemente…

FREIO – A não ser em situação de emergência, onde frear forte pode significar salvar a pele, sua e dos outros, aprender a frear suavemente é como canja de galinha: não faz mal a ninguém.

O principio de funcionamento de qualquer sistema de freio é o atrito e, assim, quanto menor for o atrito, menor o desgaste, e não só dos freios. A cada freada forte sua suspensão dianteira afunda e isso “cansa” não apenas molas e a parte hidráulica como também os relamentos da caixa de direção e outros componentes. Agir excessivamente no freio traseiro faz o pneu ficar “quadrado”, fora outros desgastes. 

Aprenda a programar sua frenagem e simule “frenagens pânicas”, aprendendo a sentir cada um dos comandos: a poderosa alavanca do freio dianteiro e o seu coadjuvante traseiro. No resto das situações, use-os sempre suavemente…

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GUIDÃO – Motos se pilotam fundamentalmente com o corpo todo e engana-se quem acha que, nas curvas, é o guidão que manda. Porém, é claro que ele é parte fundamental na direção, aliás, mais exatamente nas mudanças de direção. Aplique o mesmo princípio dos freios: para se safar de uma situação de emergência, agindo de maneira enérgica, é o caso. Em todos os outros momentos não críticos, segure o guidão de maneira firme mas, ao executar mudanças de direção, “sinta” o piso através dele, aprenda a arte de ler a pavimentação.

A técnica do contraesterço – pressionar levemente o guidão para o lado oposto da direção que se quer tomar – é um divisor de águas na pilotagem de uma moto: quando se aprende a fazer isso, as mudanças de direção e as entradas em curva tornam-se magicamente fáceis e simples. Mas lembre-se, faça tudo isso - já falei, né? - suavemente.

Fonte: http://g1.globo.com/carros/motos

Reportagem: Roberto Agresti