Filtro de ar esportivo

Quem não gostaria de ter uma moto mais esperta sem gastar muito dinheiro e nem sacrificar sua originalidade?

Testamos o filtro esportivo K&N em uma Yamaha XT660 R. O resultado foi surpreendente!

Muito antes de me tornar jornalista especializado, quando era apenas um adolescente que “roubava” a moto do pai para passear no bairro, já me interessava por “fórmulas mágicas” que prometiam melhorar o desempenho sem que para isso o consumo e a vida útil do motor fossem reduzidos.

De lá para cá, o meu interesse pelo assunto persistiu. Com a necessidade de realizar a troca do filtro de ar de minha Yamaha XT 660R, enxerguei na ocasião, uma boa oportunidade de comprovar se de fato é possível melhorar o desempenho de minha moto – ainda que fosse de maneira modesta – de forma fácil, barata e sem alterações mecânicas.

Pesquisando, cheguei à conclusão que uma das melhores opções de filtro de ar esportivo disponíveis no Brasil, era o K&N. Tratei logo de adquirir um na Motrix (site), revendedor oficial cujo estoque é amplo, o preço é bom e o atendimento de primeira.

 Ainda que o filtro K&N seja lavável e o original seja descartável – usou, jogou fora –, percebi que seu preço de R$ 290,00 pode desencorajar o investimento, tendo em vista que o componente original tem um valor bem inferior, variando de R$ 50,00 a R$ 180,00, dependendo a cidade e estado onde a concessionária se encontre. Contudo, quando comparei os gráficos do dinamômetro obtidos na oficina paulista Drop Bike – que gentilmente realizou as medições comparativas entre o filtro original e o K&N –, é que pude constatar que a substancial diferença entre os preços pode ser compensadora.

Após um trato geral na motoca, com uma lavagem minuciosa, ajuste e lubrificação da corrente de transmissão e também troca do óleo e seu filtro, enfim agendei o tira-teima com o Leandro Panadés da Drop Bikes, que me prestou auxílio como suporte técnico.

Quem também colaborou foi o André Ramos, um conceituado jornalista que fez da experiência uma reportagem para Pró Moto, revista da qual é editor. Juntos, optamos por realizar três passagens no dinamômetro com cada um dos dois filtros, excluindo posteriormente, as duas piores de cada um deles. Vale frisar que tanto as condições de pressão atmosférica como de temperatura ambiente e combustível foram rigorosamente às mesmas em ambos os filtros (1029 mB e 18ºC).

Ansioso, após ajustarmos a moto no dinamômetro, assisti o Leandro realizar primeiramente as medições com o filtro original. Primeira passagem, segunda e enfim a terceira, onde o limitador de rotações atuou mais de uma vez. O resultado de 49,9 cv a 6.179 rpm e torque de 6,2 kgf.m a 5.244 rpm, números registrados na roda, surpreenderam até mesmo Miguel Panadés, pai de Leandro e renomado preparador de motos de competição, que também acompanhava de perto nossa experiência. Isso porque o número referente à potência se mostrou superior ao declarado pela Yamaha em sua ficha técnica – 48 cv a 6.000 rpm – valor, em tese, obtido no eixo do virabrequim.

A hora da verdade veio em seguida. Após conferir as instruções de instalação, que aconselha “selar” a base do filtro com um espesso óleo – que acompanha o filtro K&N em sua embalagem – e encaixá-lo na caixa do filtro, deixamos com que a XT 660R funcionasse por alguns instantes para que o sistema de injeção eletrônica fizesse seu auto ajuste. 

Em seguida, vieram as três passagens. Confesso que fiquei ansioso pela resposta do Leandro, que operava o dinamômetro e, em tom de brincadeira, criou um certo clima de mistério antes de revelar qual era o resultado. Enfim saberíamos se uma simples substituição de um filtro de ar tinha de fato surtido efeito em minha moto.

Na melhor das três passagens, o dinamômetro da Drop Bike acusou a potência máxima de 52,3 cv a 6.358 rpm, e o generoso – e surpreendente – torque de 6,6 kgf.m a 5.376 rpm. Em suma, os números obtidos mostraram que apenas com a colocação de um filtro de ar de maior vazão, a Yamaha XT 660R sofreu um incremento de 4,81% em sua potência e de 6,41% no torque – mais do que eu esperava.

Aposto que você deve estar curioso para saber como a moto se comportou na prática, não é? Pois bem, logo após as medições, tratei de ir para rua sentir se esse ganho de potência de quase 5% surtiria efeito na tocada da moto.

Logo na primeira reta onde pude girar o acelerador até o fim, senti nitidamente que a XT 660R estava mais rápida. Com isso, a tendência em empinar em primeira típica da XT ficou mais forte e as acelerações mais contundentes. Nas retomadas a forma com que a rotação do motor passou a subir mais rápido é claramente perceptível, ou seja, com o maior torque propiciado pelo filtro de ar K&N, o motor passou a ter ainda mais fôlego para “encher” as marchas, possibilitando que a velocidade final agora seja alcançada mais rapidamente.

Por falar em velocidade final, a máxima que eu havia alcançado no painel com o filtro original foi de 175 km/h. Já com a moto equipada com filtro de ar esportivo, a melhor marca foi 181 km/h. Vale ressaltar que esses números por mim citados, são subjetivos, pois ambas as velocidades foram alcançadas em diferentes condições e com combustíveis distintos; e sem esquecer de informar ainda que em local apropriado e controlado.

Satisfeito com o resultado, parti para o ultimoteste: o de consumo. A melhor média alcançada em minha moto quando com o filtro original – mesclando o uso urbano e em estrada –, havia sido 20,6 km. Após sua substituição pelo K&N, a média passou a ser de 21,8 km/h, representando uma economia de 5,83%. Com isso, a autonomia cresceu em 18 km, chegado a um total aproximado de 327 km com 15 litros de gasolina – Mais um ponto a favor do filtro de ar esportivo, pois além do ganho em desempenho e economia, é como se o tanque da moto tivesse quase um litro a mais em sua capacidade.

Ao fim de minha experiência bem sucedida, ficou a dúvida: qual será próximo componente que testarei em busca de melhor desempenho?

Reportagem: Laner Azevedo

Fonte: midiamotor

Fotos: de André Ramos