Técnica de Pilotagem: Pilotando com chuva

A primavera e o verão são as estações particularmente mais úmidas na maior parte do nosso país; mas isso não é motivo para deixar sua moto estacionada na garagem.

Andar na chuva é viável se você estiver usando o tipo adequado de equipamento, souber identificar e prevenir os perigos, e tiver conhecimento de algumas dicas de pilotagem para pisos molhados.

Os primeiros 15 minutos após uma precipitação são os mais perigosos. É nesse período que as vias e estradas se tornam mais escorregadias, quando o óleo e outros detritos que se acumulam durante tempos secos começam a escoar. O ideal é parar sua moto e esperar os primeiro minutos da chuva, quando a água e o atrito dos pneus dos outros veículos atenuarão o efeito escorregadio; mas se você não puder encostar e esperar, algumas dicas podem ajudar a manter a tração – que é o que lhe manterá “grudado” no asfalto – mesmo em superfícies molhadas. Vejamos.

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O centro da faixa de rodagem, geralmente, tem o maior acúmulo de óleo, fluído de freio e outras sujidades que escorrem dos veículos, de modo que a melhor posição na via, em condições de chuva e pista molhada, e tentar seguir as marcas de pneus direito ou esquerdo dos carros à sua frente. Teoricamente – lembre-se que você está no Brasil (rsrs) – as estradas são projetadas de forma a escoar a água para as extremidades, portanto a área mais próxima da linha central é a menos suscetível em acumular poças, e logo tem menos de óleo e sujidades, embora a desvantagem seja que essa posição lhe colorará mais próximo aos veículos, deixando você exposto ao famoso “spray”, que é o efeito de pulverização da água decorrente do contato do pneu com o asfalto. Ainda sim, é preferível essa posição às extremidades da via, onde a camada de água acumulada é maior, e a sujeira se transforma em lama. Evite também rodar muito próximo ou sobre as faixas pintadas, pois tais superfícies se tornam extremamente escorregadias quando molhadas.

Acúmulos de água setorizados na via podem sinalizar a existência de buracos, e não se engane, porque quando cheios de água eles têm a mesma aparência, seja de 10 cm de profundidade ou profundos o suficiente para engolir seu pneu dianteiro. Fuja daquelas poças com o aspecto arco-íris na superfície, pois isso indica uma alta concentração de óleo / combustível, e portanto, possibilidade de perda de tração.

Cruzamentos são territórios extremamente perigosos, já que há maior acumulo de óleo de veículos que ali trafegam em marcha lenta durante uma conversão ou à espera da abertura de um semáforo, além da existência de mais superfícies pintadas, como por exemplo, as faixas de pedestres.

Somando-se ao desafio de pilotar com chuva, tampas de bueiros são mais propensas perto dos cruzamentos e elas também se tornaram muito mais escorregadias quando estão molhadas.

Outro ambiente que requer o máximo de cuidado tanto na chegada, quanto na parada e na saída são os postos de gasolina. O posto de gasolina é mais traiçoeiro em condições molhadas já que além dos fluídos dos carros ali estacionados, somam-se a água da chuva que escorre pelos veículos, o combustível que termina sendo derrubado no chão (vazamentos, derrame no abastecimento, etc), e por fim a superfície da área das bombas, que é geralmente de concreto liso, ou seja, requer-se o máximo de atenção, sugerindo-se trafegar nesse ambiente sempre com baixa velocidade, acelerando suavemente, e não executando curvas ou manobras bruscas.

NUNCA tente passar com sua moto por uma zona de alagamento; o perigo se encontra no fato de não se poder ver o que há no asfalto (buracos, bueiros abertos, detritos, pedras, etc), além da possibilidade de danos ao motor com a entrada de água e lama em componentes elétricos, o que pode causar uma pane e deixar você parado no meio do alagamento, à mercê de outros perigos.

Agora que você está ciente das armadilhas potenciais para motocicletas durante o tempo chuvoso, o próximo passo é a manobra com segurança através ou em torno delas.

Pilotar a moto em condições escorregadias requer do piloto realizar cada movimento muito, mas muito, suavemente. É mandatório diminuir a velocidade e se concentrar em fazer cada ação na moto de forma suave e gradual. Tente evitar movimentos bruscos e mudanças desnecessárias de traçado na pista. Redução de tração pode causar deslizamento e um possível acidente, no entanto não se desespere se a roda traseira deslizar um pouco; você pode não se sentir estável, mas enquanto o pneu dianteiro estiver indo para onde você quer que ele vá, a física (efeito giroscópio, etc) irá segurar a moto.

Por fim, tenha em mente que seu corpo ficará mais rapidamente esgotado ao pilotar em condições de chuva, quer seja por conta do frio, pelo maior grau de dificuldade, e pelo stress que a situação pode gerar, portanto não hesite em fazer uma parada para um café e tomar um fôlego antes de continuar sua viagem. Dedos dormentes e dentes batendo distraem, e um piloto distraído não é um piloto seguro.

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Então vamos repassar:

I) Equipamento Adequado para pilotar com chuva:

a. Boa Capa de Chuva e polainas, de nylon ou material sintético, que secam rápido e são mais leves de transportar;

b. Use luvas apropriadas (resistentes à água);

c. Procure usar calçados apropriados, com solado de borracha e cravejado, que manterão um boa zona de contato com o solo e grip (aderência) adequado;

d. Use capacete fechado, que evita a entrada de água nos olhos, com viseira antiembaçante ou com produto aplicado sobre a viseira que previna o embaçamento visual;

II) Motocicleta:

a. Pneus em boas condições de uso (veja a marcação de segurança existente nos pneus);

b. Calibragem dos pneus adequada para o tipo de carga (peso);

c. Faróis e setas e perfeita condição de funcionamento;

d. Se a motocicleta possuir para-brisa procure mantê-lo sempre em bom estado, podendo-se usar produto antiembaçante ou que repila a água;

III) Pilotagem:

a. Evitar frenagem, aceleração e movimentos bruscos (movimentação suave);

b. Manter distância segura dos veículos;

c. Verificar com maior frequência os retrovisores;

d. Evitar poças de água (podem ocultar buracos fundos ou bueiros abertos);

e. Cuidado com sujeira no asfalto do tipo: manchas óleo/combustíveis, pedriscos, areias, tapers de sinalização (pinturas, faixas, etc);

f. Procurar manter a maior superfície (área) de contato da banda de rodagem dos pneus com o pavimento, portanto nada de fazer curvas anguladas ou fechadas, usando inclinação excessiva da moto e do corpo;

Assim, com os períodos de chuvas se aproximando, estas dicas serão bastante úteis, embora seja melhor evitar andar em quaisquer condições escorregadias, onde o risco aumenta e existem inúmero fatores que fogem ao seu controle.

Fonte: toprider.org