Roubo e furto de motos: como se proteger?

Um dos grandes entraves para a venda de motocicletas no Brasil é a alta incidência de furtos e roubos. Os métodos usados pelos ladrões são variados e a qualquer hora do dia e em qualquer lugar sua moto pode desaparecer.

Furtos acontecem tanto em ruas tranquilas como nas mais movimentadas, em bolsões de estacionamento e até mesmo em lugares pagos e vigiados como estacionamentos de shopping centers, condomínios comerciais ou residenciais. Já os roubos são mais assustadores, a abordagem com arma de fogo é comum e infelizmente o gatilho pode ser apertado até mesmo quando não há nenhuma reação por parte do motociclista. 

Horários mais frequentes? Até pouco tempo atrás dizia-se que o fim de tarde era o momento crítico do dia, no qual a ladroagem ficava mais assanhada. Em determinadas cidades algumas ruas e avenidas ganharam fama de terra de bandidos, onde a incidência tanto de furtos como de roubos é maior do que em outros locais. Na verdade, atualmente perder a moto para um ladrão nas grandes cidades brasileiras, seja como for, ganhou ares de epidemia: mais do que informação ou conhecimento, para evitar se tornar uma vítima é necessário ter sorte, pois qualquer hora é hora, qualquer lugar  é lugar e qualquer moto interessa aos bandidos.

CINCO E MEIA DA MANHÃ?

A avenida Sumaré em São Paulo é uma das mais movimentadas da cidade. Corta bairros de classe média e média-alta da zona oeste da cidade. Imaginar que já às 5h30 da manhã uma dupla armada esteja em ação ali atualmente não espanta mais nenhum paulistano. Bons anos atrás talvez fosse mais corriqueiro um roubo a mão armada acontecer tão cedo assim em uma artéria menos nobre da cidade, como a avenida Radial Leste ou na avenida Washington Luís, vias que trazem dos extremos da periferia, zona leste e sul respectivamente, "enxames" de motociclistas a caminho do trabalho no centro da metrópole nas primeiras horas do dia. Mas como dito, hoje qualquer lugar é lugar. 

E qual foi a moto-alvo dos ladrões deste roubo na avenida Sumaré? Quem pensou nas mais comuns Honda CG, Yamaha Factor ou na cobiçada dupla 300 da Honda, CB e XRE, errou. A moto que foi levada de seu dono sob mira de revólver é um objeto raro nas ruas brasileiras: uma Benelli TNT 899, sofisticada naked italiana que teve apenas 25 unidades vendidas no Brasil entre 2013 e 2014, o breve tempo em que a operação da marca durou no país. 

Alguns poderiam pensar que foi uma encomenda, que alguém precisando de peças específicas da TNT 899 foi “inocentemente” à boca, o manjadíssimo antro paulistano de negócios de motos com peças usadas de procedência duvidosa e ouviu dizer: “hoje não tenho, mas passe daqui uns dias…”. A raridade do modelo exclui tal hipótese, totalmente improvável. O mais certo é pensar que como afirmamos qualquer coisa sobre rodas com um motor no meio interessa aos bandidos, e o dono da rara Benelli estava no lugar e hora errada. O problema é que há cada vez mais lugares e horas erradas. 

ALGUMAS HORAS DEPOIS…

A Benelli foi encontrada a mais de 10 km do lugar onde foi roubada.  Como isso aconteceu? Graças ao rastreador instalado pelo proprietário, que enviou localização via GPS, determinando o exato lugar onde estava a moto, um matagal na zona norte de SP. Matagal? A tática é a seguinte: após a abordagem leva-se rapidinho a moto para um lugar ermo e longe da vista de curiosos e praticamente enterra-se a motocicleta no mato, se o dono aparecer, paciência, se não aparecer, lucro! 

O final foi feliz, apesar dos ladrões continuarem soltos a rara TNT 899 voltou à garagem de seu dono, que agora vai pensar duas vezes antes de… 

a)    acordar cedo demais

b)    passar na av. Sumaré

c)    andar de moto

d)    deixar de instalar rastreadores

e)    todas as anteriores

Resposta correta: infelizmente, “e”. 

TRISTEZA E TENSÃO

O prazer que rodar de moto proporciona é uma das razões que faz este veículo ser tão amado. Triste é, porém, ter este prazer tolhido pela tensão que a insegurança provoca. E é claro que não falamos da insegurança natural do trânsito e suas armadilhas, por si só um grande problema a ser enfrentado com educação, a boa formação dos motoristas e motociclistas. 

Ter sua querida moto furtada é um grande dano ao bolso, tê-la roubada sob ameaça simplesmente uma barbárie. Para esta última situação, o rastreador, o seguro ou preferencialmente ambos são recursos que preservam o bem materia,l mas não cancelam o trauma da ameaça e do medo. E muitas vezes esse dano psicológico causa a renúncia à motocicleta o que é compreensível mas completamente inaceitável, já que a atitude dos maus não deve balizar o comportamento dos bons. 

Como preservar suas motocicleta nesse cenário horrível? O que pode evitar que de uma hora para outra você se veja privado de sua moto? Já mencionamos o caso da Benelli e o final feliz que o rastreador proporcionou, porém, tal  recurso não é exatamente acessível (menos de R$ 400 a instalação e cerca de R$ 60 a mensalidade). Quanto ao seguro, em breve abordaremos esta possibilidade com mais profundidade. O que há mais a fazer além disso? 

Imobilizadores eletrônicos, dispositivos que através de comandos remotos ou pequenos botões instalados em locais “secretos”, de conhecimento exclusivo do dono da moto, são uma alternativa. Porém, há problemas: em caso de roubo é usual o ladrão pedir o controle ou perguntar se a moto tem algum dispositivo. Sob mira de uma arma, você teria sangue frio para negar, esconder a verdade? Nem todos conseguem ser tão frios e assumir tal risco, uma vez que o imobilizador desligará o motor da moto quando ela se distanciar de seu dono (ou melhor, do comando que está em seu bolso, bolsa ou mochila). Isso pode acontecer em poucos ou muitos metros, mas sempre…metros. E se o ladrão, irritado, voltar? 

VEJA TAMBÉM

10 dicas para economizar no combustível da moto

Se eu fosse você, lembraria das luvas!!

Versão XR é Tiger 800 mais “pelada” e acessível

Frenagem - Se liga nessa parada

26 coisas que você precisa saber sobre motos

TRAVAS & CIA.

Um cano da arma na cara não aconselha atitudes estranhas e reações de qualquer ordem. Afinal, nenhuma moto vale como sua vida. Todavia, quando o ladrão recorre a um método menos agressivo para surrupiar o que não é dele vale a pena dificultar sua vida. Correntes, cadeados ou travas são muito comuns e não à toa, uma vez que oferecem efetiva proteção. Um ladrão bem equipado e experiente pode, com certeza, cortar travas, correntes ou mesmo abrir os mais elaborados segredos através de chaves chamadas “michas” ou na base da marretada. Mas é óbvio que entre roubar uma moto que tenha uma poderosa trava no disco de freio dianteiro e uma grossa corrente prendendo a roda traseira o safado preferirá outra com menos proteções ou, melhor ainda, nenhuma proteção a não ser a praticamente ineficaz trava da coluna de direção. Por que praticamente? Por conta de fragilidade da maioria delas.

Tempos atrás surgiu um dispositivo que se revelou boa altentaiva anti-furto: as tampas de fechadura ou, como registrou a Honda, o “shutter-key”. Infelizmente esse bom recurso (uma dificuldade a mais para o ladrão…) foi retirado da moto mais vendida do Brasil, a CG. Justificativa? Redução de custo. Outro grande dispositivo é a chave dotada de chip, ou seja, um sensor eletrônico. Não adiantará ao bandido reproduzir fielmente o formato da chave de uma moto pois, para que o motor funcione, deve haver um sinal eletrônico compatível emitido pela chave, o tal chip, que deve dizer “OK”, senão, nada de o motor funcionar. 

Seja com a chave dotada de chip, com comb-lock, trava de disco, corrente na roda e tudo mais, sua moto mesmo asssim pode sumir quando uma Kombi ou um furgão qualquer parar do lado dela e dois ou três fortões praticarem o terrível esporte de “arremesso de moto para dentro de furgões”. Tal modalidade só pode ser contida se você acorrentar sua moto a um resistente gancho chumbado ao solo, muro ou prendê-la a um poste ou grade, coisa nem sempre simples e disponível em todo o lugar que você for estacionar. 

Qual a melhor solução para acabar ou diminuir furtos e roubos? O ideal seria extinguir o comércio clandestino de motopeças mas isso só acontecerá quando os clientes desse tipo de mercadoria sumirem. Lembrando: furtar e roubar é crime, assim como comprar um componente sem origem determinada, o que coloca em um mesmo plano de ilegalidade quem rouba, quem furta, quem vende e quem compra. 

Enfim, as alternativas na guerra contra a bandidagem são muitas, mas a melhor de todas seria a conscientização da sociedade e o sempre necessário e nunca demasiado investimento em educação, concordam?    

FOTOS:Roberto Agresti / G1