African Twin mantendo a proposta aventureira

Vencer longas distâncias sem negociar o tipo de piso sempre foi objeto de desejo de muitos aventureiros pelo mundo,

e um dos passaportes nas décadas de 1980 e 1990 atendia pela sigla de XRV 750. Entretanto, o batismo de African Twin, lembrando o continente onde era disputado o rali Paris-Dakar, conferiu ainda mais responsabilidade ao modelo. Não por acaso, a Honda relança a moto, conservando o pomposo nome, com opção de grafismo e decoração nas cores do time de competições que disputa a badalada prova, que, porém, atravessou o Atlântico e agora é disputada na América do Sul.

 

A fórmula também mudou e do antigo modelo só restou o batismo e a vocação sem destino. A arquitetura de motor com dois cilindros em V deu lugar a um novo propulsor de dois cilindros paralelos, que também foi anabolizado para 1000cm³. Além disso, ganhou muita eletrônica embarcada e três opções de configuração. O modelo de entrada, Standard; o intermediário, com ABS; e o completo, que inclui o sistema de dupla embreagem, DCT. Entretanto, a nova Africa Twin só vai estar disponível no fim de 2015 inicialmente no mercado europeu, para depois ganhar o mundo.

TELHADO No Brasil, a Honda experimentou modelos com vocação semelhante, como a Varadero, a Transalp e a VFR 1200X, que, entretanto, não decolaram. Assim, a nova África Twin entra na lista de candidatas a carimbar o passaporte para o mercado nacional. O modelo pretende oferecer maneabilidade na terra, mas também transitar com agilidade no asfalto, inclusive nas cidades. Para tanto, o banco pode ser regulado na altura, variando entre 850mm e 870mm do chão. Já a altura livre do solo, de 250mm, garante menor vulnerabilidade na transposição de obstáculos.

Curiosamente, a versão mais sofisticada conta com a dupla embreagem, que elimina o pedal de marchas e o manete de embreagem, itens aparentemente indispensáveis em um manejo no fora de estrada. A marca, contudo, aponta que o sistema não deixa traumas. O piloto pode optar por cambiar as seis marchas de forma manual, com aletas no punho esquerdo do guidão, acionadas com o dedo indicador e “dedão”, ou deixar no modo D (Drive), quando as marchas são trocadas de forma automática, ou selecionar o modo S (Sport), para apimentar a condução.

PIMENTA O tempero apimentado tem as subdivisões em S1, S2 e S3, quando as marchas são “esticadas” até o limite. Além disso, o modelo tem controle de tração com três níveis, que funciona interferindo no torque e de forma integrada com a dupla embreagem, que também percebe a inclinação da moto, para atuar de forma mais precisa depois de processar o conjunto de informações. Para rodar na terra, o ABS pode ser desligado na roda dianteira. Para completar, o painel é inteiramente digital, com duas telas e computador de bordo.

O motor, com dois cilindros paralelos e 998cm³, tem o arranjo de 270 graus no virabrequim (como em algumas motos de competição), que possibilita uma pegada mais vigorosa e fornece 95cv a 7.500rpm e torque de 10kgfm a 6.000rpm. A suspensão dianteira é invertida e a traseira, do tipo mono. Ambas Showa. O freio dianteiro tem duplo disco com 310mm de diâmetro e o traseiro, 256mm. Os dois em formato margarida, com pinças Nissin. O quadro é do tipo berço duplo de aço e o tanque de combustível tem capacidade para 18,8 litros.

Fonte: Téo Mascarenhas /Estado de Minas